28
Jun
2009

das proteções imperceptíveis


balanço by kat&kat on flickr

Foto © Katie

Nela, os sentimentos nasciam e morriam, diariamente.
Esse sobe e desce me machuca tanto, pensava ela.
Custava a entender que era isso que a protegia.


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23
Jun
2009

das conversas (e posts) herméticas


Broken heart by lady-bug on flickr

Foto © Lady-bug

Por que o tempo teima em deteriorar a doçura? E por que as pessoas teimam em se entregar a essa regra?


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22
Jun
2009

das noites de chuva


chove chuva

Chove muito lá fora.
Um chuva intensa, bonita.
Tem cheiro de madeira molhada e folha verde.
Daqui posso vê-la desaguar nas calçadas, tirando o pó das ruas e das almas.
Quase ninguém percebe, mas, nesses dias de chuva, tem gente que anda com a alma meio embranquecida.
Acho que depois que a sujeira vai embora, não sobra muita coisa neles.
Boa ou ruim.
Chove muito lá fora e aqui dentro também.
A lágrima salgada é quem dita as diferenças.
Abro a janela para misturar as chuvas.
Dentro de mim, elas misturam-se de tal forma que não se pode dizer onde uma começa e a outra termina.
Quando chove, deixo lavar as pequenas coisas que me afetam.
Quero-as longe.
Preciso deixá-las longe.
Um mundo de palavras não ditas, sentimentos sufocados, suspiros retidos.
Tudo precisa de um momento certo para ser dito.
Algumas coisas precisam não ser ditas.
Algumas dores precisam ser evitadas.
Não vale a pena macular a felicidade com as coisas sujas da vida.
Prefiro deixar que a chuva leve (e lave) tudo para longe.
Prefiro chover para remoçar.
Porque mesmo amando (e necessitando) (d)as tempestades, não quero mais nuvens do lado de dentro.
Quero seguir inteira, sorridente e entre-pálpebras sem levar nada além das ternurinhas.


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